uma prática de ensino no SUS
Dissertação de mestrado, Departamento de Medicina Preventiva e Social, Faculdade de
Ciências Médicas, UNICAMP.
Orientador: Prof. Dr. Nelson Filice de Barros
RESUMO
Os movimentos sócio-econômico-culturais e históricos são os determinantes dos padrões em todas as áreas de uma sociedade. A medicina também é fruto dessas contingências e culminou com o desenvolvimento das especialidades médicas, as quais dependem fortemente de avançada tecnologia para esclarecimentos diagnósticos e fins terapêuticos. O resultado disso foi a fragmentação do saber médico. Perdeu-se aí a dimensão da totalidade do ser, ao mesmo tempo em que se elevou o custo do atendimento médico. Numa visão de resgate da integralidade e possibilidade de uma prática médica de qualidade a menor custo, a OMS em 2002, propôs a implantação da Medicina Alternativa/Complementar (MAC) nos serviços públicos de saúde até 2005. A formação médica também sofreu reforma educacional e, em 2001, as Diretrizes Curriculares recomendaram a formação médica no SUS e para o SUS e enfatizaram a necessidade de serem formados médicos generalistas. Ao mesmo tempo, gestores do SUS e sociedade organizada se reuniam nas Conferências Nacionais de Saúde e solicitavam acesso à MAC nos serviços públicos. A Medicina Homeopática se insere neste contexto uma vez que sua doutrina orienta para o “ser”, na sua totalidade, individualizando a enfermidade, o diagnóstico e o medicamento. Embora seja reconhecida como especialidade médica desde 1980 e possua um código de atendimento no Sistema de Informação e Atendimento do SUS (SAI-SUS), ainda não está institucionalizada e nem oficializada nas escolas médicas. Oportunamente, em 2003, foi implantado o Curso de Pós-Graduação em Homeopatia, lato-sensu, na Faculdade de Medicina de Jundiaí (CPGH-FMJ), com a orientação para o ensino em serviço e prestação de assistência aos usuários do SUS. O pioneirismo deste modelo de ensino da homeopatia no Brasil é a justificativa e a motivação para esta pesquisa, cujo objetivo é analisar a formação dos médicos homeopatas do mesmo curso. Baseando-se nas perspectivas e percepções dos sujeitos envolvidos, foram consideradas: as modificações ocorridas na prática e conduta dos alunos; as impressões dos usuários sobre o tratamento e a homeopatia; os motivos da desistência de alguns alunos do curso; a homeopatia e o atendimento prestado na visão dos profissionais da saúde (administrativos do ambulatório-SUS); a motivação dos professores do curso para o desenvolvimento desta racionalidade; o julgamento da homeopatia e a justificativa da aprovação do curso pelo Diretor e pela Congregação da Faculdade. A metodologia usada na pesquisa foi a qualitativa, fundamentada na fenomenologia e o método aplicado foi o estudo de caso. As técnicas usadas na investigação dos sujeitos envolvidos foram: alunos, usuários, professores, e a Congregação da FMJ responderam questionários semi-estruturados; alunos desistentes responderam questionário semi-estruturado em entrevista telefônica; profissionais administrativos do ambulatório participaram de grupo adaptado da técnica do grupo focal; e o diretor da FMJ foi entrevistado. Os resultados foram organizados segundo categorias de análise: a) conhecimento e referencial sobre homeopatia; b) homeopatia como novo paradigma de ensino e assistência no SUS; c) estrutura geral do curso. E, como considerações finais, demonstrou-se a possibilidade do ensino da homeopatia em Instituição de Ensino Superior com prática clínico-pedagógica orientada para o SUS, e, a viabilidade da universalização da Medicina Homeopática no SUS devido à satisfação dos sujeitos envolvidos.